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Preparo mental e partes do cérebro bem desenvolvidas também formam vencedor

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postado em 10/02/2014 11:17 / atualizado em 10/02/2014 11:26

Thaís Cunha /Correio Braziliense

AFP PHOTO/JOHN THYS

 

Para chegar ao único ouro brasileiro na ginástica artística, nas Olimpíadas de Londres, em 2012, Arthur Zanetti passou por uma preparação além dos esforços físicos e técnicos. A psicóloga Maria Cristina Nunes Miguel se orgulha de fazer parte da conquista, já que trabalhou oito anos preparando o atleta. “Um campeão tem de se manter sempre em total disciplina e, na ginástica, ele deve aprender a lidar com medo, risco, atenção e concentração”, define.

O trabalho mental nas atividades de alto rendimento pode ser a diferença entre quem chega ao topo de um pódio e quem “amarela” diante de uma decisão.“O Arthur tinha um comportamento quando começamos a trabalhar e agora tem outro. Passou a ter disciplina, seguiu as orientações de todos que o acompanham, tem foco e, unindo todos os fatores, chegou aonde está”, define a psicóloga.

A diferença entre Zanetti e um atleta comum, porém, ultrapassa os exercícios aplicados pela equipe técnica. De acordo com Carlos Bernardo Tauil, mestre em neurologia pela Universidade Católica de Brasília, o cérebro responde a estímulos externos e acaba desenvolvendo áreas específicas.

O planejamento dos movimentos para quem apenas faz uma caminhada, por exemplo, é involuntário, e a parte do cérebro responsável por isso, o cerebelo, trabalha sozinho, estabelecendo o movimento e a pressão da pisada. “O atleta que treina a concentração conseguirá medir melhor o movimento e, assim, tem a área mais desenvolvida”, explica Tauil. A região é a mesma responsável por manter o equilíbrio, fundamental em ginastas.

A ideia de um “treinamento cerebral”, para desenvolver qualidades de atletas, ainda é recente e pouco explorada. Um estudo conduzido pela Universidade de Harvard levou à criação do livro The Winner’s Brain (O cérebro do campeão), dos neurocientistas Jeffrey Brown e Mark J. Fenske. Na pesquisa, os autores mostram oito passos para ser um campeão em qualquer área, inclusive no trabalho. Isso envolve conceitos muito explorados pelos psicólogos do esporte: concentração, autoconhecimento, foco, controle de emoções e memória são alguns deles.

A ideia é explorada pelo psicólogo esportivo Maurício Marques. “A principal diferença dos vencedores é que eles conseguem manter o foco principalmente no treino, já que a competição é apenas um pedaço da rotina”, analisa. Para tornar os pacientes campeões, Marques usa técnicas psicológicas para trabalhar a concentração, controlar a ansiedade e deixar os atletas motivados.

Exercício para amadores
Para os sedentários, passar a praticar esportes também pode significar resultados além do corpo sarado. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Wayne, nos Estados Unidos, concluiu que o cérebro de pessoas que praticam atividade física regularmente é diferente dos que não praticam. Os pesquisadores deixaram dois ratos engaiolados por três meses e apenas um tinha acesso à esteira para praticar exercícios. Analisando o sistema nervoso de cada um, os estudiosos descobriram que a inatividade aumenta o risco de problemas no coração e altera a estrutura e o funcionamento do cérebro.