Johanesburgo - O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, rebateu de forma curta e grossa na manhã desta quinta-feira à sugestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de que o mandato na CBF dure no máximo oito anos. No cargo desde 1989, Ricardo Teixeira evitou se alongar na resposta e fugiu de dividida, mas o tom da voz deixou clara a insatisfação com o pitaco do Chefe de Estado. "Eu respeito democraticamente o pensamento do presidente Lula, apesar de discordar", disse.
 | |
| Ricardo Teixeira concedeu entrevista coletiva nesta quinta-feira |
Na terça-feira, durante passagem por Dar es Salaam, capital da Tanzânia, Lula alfinetou Ricardo Teixeira. "Eu não posso falar da CBF porque é uma entidade particular e eu não posso votar, não posso dar palpite. Eu acho que se a CBF adotasse o que eu adotei quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), a cada oito anos a gente trocava a direção da CBF. No sindicato a gente trocava", lembrou.
Outro constrangimento público para Ricardo Teixeira foi a ausência do rei do futebol, Pelé. Questionado sobre a falta do craque, o dirigente disse que não sabia detalhes e passou o microfone para o diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva. "O Pelé foi contactado através do Pepito, que é o assessor, mas ele tinha compromissos no Brasil e não pode vir". Na verdade há divergência de patrocinador. A Visa é parceira da Fifa até a Copa de 2014, mas Pelé tem vínculos com a concorrente, Mastercard.
Polêmicas à parte, Ricardo Teixeira concedeu entrevista coletiva ao lado de dois tetracampeões, o ex-atacante Romário e o técnico Carlos Alberto Parreira, horas antes da divulgação oficial da logomarca da Copa de 2014. Para evitar desgastes sobre a eliminação da Seleção Brasileira do Mundial da África do Sul, o cartola não aceitou responder a nenhuma pergunta sobre o futuro da trupe canarinha. "Estou aqui para falar de 14", avisou.
Ao comentar a situação dos estádios das 12 cidades-sedes escolhidas pela Fifa para a Copa no Brasil, Ricardo Teixeira elogiou o cumprimento de datas de dois estados em especial. "Ontem (quarta-feira), Brasília definiu a concorrência e foi determinado o valor para as obras do Estádio Mané Garrincha. Minas Gerais também já está bem. Temos o problema de São Paulo, que todos vocês conhecem. As garantias foram entregues por todos. As coisas estão em dia, especialmente em Minas Gerais", comentou, sem entrar em detalhes.
O recado mais direito foi para os atrasos de São Paulo. Em junho, o Morumbi foi banido da lista de estádios. "Não ficou nada determinado. Tive apenas uma conversa genérica com o prefeito Kassab. Tão logo ele retorne de férias vamos ter uma conversa para tratar do assunto específico de São Paulo. Preciso saber se a cidade pretende fazer a abertura ou deseja apenas participar. São Paulo caminha perigosamente nas datas limites
A maior crítica do cartola é à situação precária dos aeroportos. "O desenvolvimento da mobilidade urbana está em andamento. Houve liberação de verba para reforma, mas os nossos três grandes problemas são aeroporto em primeiro, aeroporto em segundo e aeroporto em terceiro", reclamou, exigindo da Infraero rapidez na resolução do problema.
Nem mesmo a questão da segurança no Brasil abalou Ricardo Teixeira. "Esse é um problema do mundo todo, não há fixação geográfica. Tivemos o Pan-Americano no Rio de Janeiro em 2007 sem nenhum problema com turista. Recebemos a Eco-92, temos Fórmula 1 todo o ano. Estamos nos preparando para a Copa, enfim, recebemos grandes eventos todos os anos", destacou Ricardo Teixeira, vislumbrando os próximos. "Em 2013 temos a Copa das Confederações, no ano seguinte a Copa do Mundo, em 2015 a Copa América e em 2016 os Jogos Olímpicos do Brasil. Não teremos problema em cada um desses eventos", garantiu.
ConcentraçãoEm meio às incertezas sobre a Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira garantiu pelo menos a construção de uma nova concentração para a Seleção Brasileira. O espaço será construído no Rio de Janeiro, base dos donos da casa durante o torneio. "O nosso projeto está em andamento. Vamos construir a sede da CBF, a concentração e o museu do futebol brasileiro. O Rio de Janeiro é a cidade que conseguiria, hoje, suportar a Seleção. Temos mandado várias pessoas ao mundo para trazer o que tiver de mais completo e moderno e vamos aplicar nesse investimento", garantiu.