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FPF

O teatro do rei

Carlos Alberto "ensaiou" renúncia após decisão do TJD-PE que contrariava determinação anterior da Federação

postado em 17/02/2011 09:13 / atualizado em 17/02/2011 10:36

Marcel Tito /Diario de Pernambuco

A certeza de que Carlos Alberto Oliveira permaneceria à frente da FPF existia desde o primeiro "sussurro" da possibilidade de sua renúncia. Restava compreender o objetivo do factoide, inicialmente disseminado por dirigentes de clubes do interior. Aliados seus, diga-se. Respirem os acontecimentos. Oliveira foi dormir afrontado pela Justiça Desportiva local. Acordou com a necessidade de demonstrar autoridade. Que continuava mandando no Campeonato Pernambucano. Contactou aliados. Encenou o seu teatro. E terminou o dia aplaudido por sua claque. Um rei e a necessidade de demonstrar a sua força.

A interpretação é embasada no perfil antidemocrático de Oliveira, bem conhecido por quem teve contato com o futebol pernambucano nos últimos 16 anos. Presidente eternizado no poder, que tem orgulho de levantar a voz para declarar-se dono do futebol de um estado, acostumado a impor a sua vontade às leis e regulamentos. Orgulho de encerrar seus atos unilaterais com uma sentença simples,desafiadora. "Eu não disse que faria?" Desta vez, no entanto, ele não fez. Não renunciou.

E a razão é simples: em momento algum de ontem Carlos Alberto Oliveira anunciou a sua intenção de deixar a presidência da FPF. Os comentários de sua renúncia partiram de bocas alheias, distantes da sede da entidade. A 720 quilômetros, 681, 511. Tanto que, ao ser questionado pelo Superesportes, pela manhã, Oliveira recusou-se a comentar o assunto. Limitou-se a anunciar uma entrevista coletiva às 16h30. Conseguira mudar o foco. Fez-se de vítima.

Sem sentido. Afinal, nada há de absurdo na iniciativa da Cabense lutar por um direito que acredita possuir nem na decisão do TJD. Aliás, para Carlos Alberto, existe. Trata-se de uma decisão embasada no regulamento da competição, elaborado sob a sua batuta. Uma intromissão de um órgão julgador numa questão na qual é competente, mas que já havia sido decidida pela Federação. Esta não como instituição. Como pessoa.

Iniciativa e decisão que em nenhum momento retiraram a autoridade daFPF. Fortaleceram a democracia, ao contrário. Regime, aliás, também à disposição do Salgueiro, grande prejudicado do julgamento. O Carcará poderia recorrer, como, inclusive, anunciou que vai fazer a FPF. Tentar reverter a situação na Justiça. Mas isso não era suficiente. Era preciso vencer a qualquer custo. A qualquer preço. E, mais uma vez, o futebol pernambucano saiu de campo derrotado.