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Libertad cobra explicação da Conmebol sobre irregularidade em escalação de Ábila pelo Boca, rival do Cruzeiro na Libertadores

Wanchope teria que cumprir mais um jogo de suspensão na competição

postado em 11/09/2018 20:04 / atualizado em 11/09/2018 20:29

AFP / ALEJANDRO PAGNI
O Libertad, do Paraguai, enviou nesta terça-feira um documento à Confederação Sul-Americana de Futebol pedindo explicações sobre uma possível irregularidade na escalação de Ramón Ábila, do Boca Juniors, no confronto entre as equipes pelas oitavas de final da Copa Libertadores de 2018. O atacante marcou um dos gols da vitória xeneize na Bombonera, por 2 a 0, em 8 de agosto. No duelo de volta, dia 30 de agosto, Ábila ficou fora da lista de convocados por causa da suspeita de irregularidade. No estádio Defensores del Chaco, em Assunção, o Boca voltou a vencer os paraguaios, por 4 a 2, e avançou às quartas de final para enfrentar o Cruzeiro.

No comunicado enviado aos torcedores e à imprensa, o Libertad afirma ter consultado o sistema de inscrições da Conmebol, conhecido como COMET, para verificar se Ábila precisaria ou não cumprir mais partidas de suspensão pela expulsão na final da Copa Sul-Americana de 2015. À época no Huracán, da Argentina, Wanchope recebeu cartão vermelho por dar um soco em Yerry Mina, então zagueiro do Independiente Santa Fe, da Colômbia. Em julgamento na Conmebol, o gancho foi ampliado de uma para três partidas.
 
Conforme imagem disponibilizada pelo Libertad, o COMET informa que o atleta foi punido com um jogo, cumprido quando o Huracán enfrentou o Caracas, em Buenos Aires, na fase preliminar da Libertadores de 2016. Não há no sistema qualquer menção sobre penas pendentes. Na partida de volta, Ábila esteve em campo na derrota do Globo, por 2 a 1, na Venezuela. Na fase de grupos (seis jogos) e nas oitavas de final (dois jogos), sempre foi utilizado. Ele contabilizou cinco gols no torneio.

Reprodução/Twitter do Libertad

Em 2017, já a serviço do Cruzeiro, Ábila disputou a primeira fase da Copa Sul-Americana, contra o Nacional-PAR. No primeiro jogo, no Mineirão, fez o segundo gol da vitória celeste por 2 a 1. Na segunda partida, no Defensores del Chaco, foi substituído aos 33min do segundo tempo. A Raposa perdeu por 2 a 1 no tempo normal e caiu também nos pênaltis (derrota por 3 a 2). Não houve nenhuma notificação por parte da Conmebol de que o ex-camisa 9 cruzeirense seria submetido a alguma sanção.

Já em 2018, o centroavante participou de cinco dos oito jogos do Boca Juniors na Libertadores, com três gols marcados. Nas três partidas em que não atuou, ficou no banco de reservas em duas. Ou seja, Ábila esteve efetivamente ausente de um jogo, na vitória sobre o Libertad por 4 a 2, em Assunção, pelo confronto de volta das oitavas de final. Assim, a terceira e última partida de punição seria cumprida diante do Cruzeiro.

Somados os compromissos por Huracán, Cruzeiro e Boca, Ábila jogou irregularmente em 16 partidas. Só que as normas da Conmebol permitem que reclamações sejam feitas até 24 horas depois da realização de cada jogo. Nenhum clube atestou os erros administrativos no tempo necessário, e o período para reclamação prescreveu (leia abaixo o terceiro parágrafo do artigo 19 do Regulamento Disciplinar da Conmebol).

“No caso de escalação indevida de um jogador será aplicado o disposto nos parágrafos 1 e 2 do presente artigo unicamente se a equipe contrária interpuser uma reclamação oficial no prazo de vinte e quatro (24) horas uma vez finalizado o jogo, salvo que aquela tenha sido produzida porque o jogador em questão descumpriu uma sanção disciplinar regulamentar, decisão ou ordem dos órgãos judiciais. Neste caso, a Unidade Disciplinar iniciará o procedimento de ofício”.

Reprodução/Twitter do Libertad

Nesta terça-feira, o jornal argentino Olé noticiou que Ábila deixou o treinamento do Boca por causa de uma lesão grau dois no músculo posterior da panturrilha direita. Tévez, Zárate e Benedetto são as opções do técnico Guillermo Schelotto para o jogo contra o Argentinos Juniors, sábado, às 20h (de Brasília), pelo Campeonato Argentino. Em seguida, o Boca se concentra exclusivamente no confronto com o Cruzeiro, às 21h45 de quarta-feira (19 de setembro), na Bombonera, pela partida de ida das quartas de final da Copa Libertadores.

Outros casos

Outros casos de suspensões não cumpridas vieram à tona em 2018. O meio-campista Bruno Zuculini, do River Plate, jogou sete partidas de maneira ilegal, porém por equívoco da própria Conmebol. Antes de escalar o atleta, a direção do time argentino consultou a entidade, que, inicialmente, não identificou nenhuma anormalidade e enviou um ofício ao clube autorizando a escalação. O equívoco só foi descoberto pelo Racing, duas semanas depois da partida de ida das oitavas de final, em 9 de agosto (empate por 0 a 0, em Avellaneda). Como o erro partiu da própria Conmebol e houve também a prescrição da reclamação, o River ficou livre da punição.

Quem não teve a mesma sorte foi o Santos ao colocar o uruguaio Carlos Sánchez em campo. Expulso após agredir um gandula no jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana de 2015, quando defendia o River Plate, o meio-campista foi punido com três partidas de suspensão (em caso semelhante ao de Ábila). O Independiente tomou conhecimento do caso em menos de 24 horas, e a Conmebol abriu investigação. O Santos, por sua vez, apegou-se a ao sistema de registros da Confederação Sul-Americana (COMET), no qual não havia nenhuma pendência registrada e teoricamente ‘liberava’ Sánchez. No fim das contas, prevaleceu a redação do Regulamento Disciplinar, e o Peixe acabou recebendo uma dura punição: derrota por 3 a 0.

Reprodução/Twitter do Libertad

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