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OPINIÃO

Coluna de Fred Figueiroa: 'Sangria estancada minimamente no Sport na Série A do Brasileiro'

Colunista do Superesportes ainda vê como crítico o momento do Leão

postado em 11/09/2018 08:24 / atualizado em 11/09/2018 08:38

Williams Aguiar/Sport
O Sport conseguiu estancar minimamente a sangria que atravessava no Campeonato Brasileiro. Repito e reforço para não ser mal entendido: Minimamente. Depois de somar apenas dois pontos em 11 jogos, o time rubro-negro - com extrema dificuldade - ganhou quatro pontos nas últimas três rodadas e foi o suficiente para ainda não afundar na zona de rebaixamento. Hoje segue na 17ª posição, empatado com o 16º (Vasco) e o 18º (Ceará). Caso mantenha este desempenho nas 14 rodadas restantes, terminaria com 42 ou 43 pontos - o que significa uma chance razoável de permanência. De acordo com o departamento de matemática da UFMG, com 42 pontos, a chance de ficar na Série A é de 69% e com 43, sobe para 87%. Analisando com a frieza da matemática, o quadro até que não parece tão crítico. Mas é. Muito crítico.

O que, de fato, mudou 

Como ressaltei acima, os quatro pontos somados pelo Sport nos últimos três jogos, vieram com extrema dificuldade - incluindo dois erros decisivos da arbitragem (Paraná e Cruzeiro tiveram gols anulados ainda no 1º tempo, o que mudaria o rumo das partidas), três bolas na trave e um pênalti defendido por Magrão. Não há efetivamente um quadro de evolução consolidado. Nem perto disso. Sendo levemente otimista, o máximo que consigo identificar são sinais de encaixe em dois setores. A defesa passou a funcionar melhor com três zagueiros formando a primeira linha de quatro: Durval, Ronaldo Alves e Ernando (atuando como lateral direito). E o meio de campo ganhou corpo e intensidade com a dupla que atuou no 2º tempo: Marcão e Jair. Um jogador que veio da Série C (Cuiabá) e outro de um time com campanha fraca na B (Juventude). O que mostra o tamanho da vulnerabilidade que a equipe apresentava no setor. Os sinais positivos, entretanto, ainda são tímidos e insuficientes para dar a sustentação que o momento precisa.

Quadro frágil 

A chegada de Eduardo Baptista não surtiu efeito imediato - como, por exemplo, aconteceu com Lisca no Ceará, Adilson Baptista no América e Carpegiani no Vitória.  Foram três derrotas consecutivas antes de conseguir o primeiro resultado positivo. Ficou claro que a evolução só viria de forma gradual, lenta, pontual. E, ainda assim, sem poder projetar qual seria/será o limite desta. Nas duas últimas partidas - contra Bahia e Cruzeiro - o Sport mostrou mais consistência e até mais alternativas. Fez um primeiro tempo bom em Salvador, quando desperdiçou as chances e acabou entregando o jogo no 2º tempo com erros individuais. Diante do Cruzeiro, apresentou outra face na etapa final quando Jair substituiu Neto Moura e injetou intensidade no meio de campo. Porém esbarrou na falta de qualidade ofensiva para extrair algo positivo (Andrigo foi uma peça nociva para o setor). E, ainda assim, esteve mais perto da derrota do que da vitória. Ou seja, o quadro atual ainda é muito frágil para a sequência de jogos pesados pela frente.

Corredor polonês 

Não há perspectiva de uma pontuação sequer razoável para o Sport nas próximas quatro rodadas - quando enfrenta Corinthians (fora), Palmeiras (casa), Atlético/MG (fora) e Inter (casa). Ainda que os dois primeiros adversários utilizem equipes mistas ou até 100% reservas (o que é mais provável no caso do Palmeiras), continuam sendo mais sólidos e mais qualificados que o time rubro-negro. Ou seja, a perspectiva citada acima do crescimento lento e gradual dificilmente será refletida na classificação. Caso não tenha pelo menos dois resultados inesperados, a tendência é que o Sport perca posições e se distancie da saída da zona de rebaixamento. E, sinceramente, não sei como este cenário seria assimilado em um clube já muito instável e com o ambiente interno corroído. Não sei se Eduardo Baptista terá condições de criar um escudo para isolar o elenco das consequências de um afundamento na classificação. Se hoje já está difícil - com jogadores que vieram para resolver sendo moralmente afastados do grupo, mas permanecendo no clube por conta de multas altíssimas (casos de Felipe e Michel Bastos) - imagine com um cenário de cinco ou seis pontos atrás do 16º colocado… 

Se houver depois... 

Sim, depois desta sequência, a tabela vai se abrindo, trazendo inclusive jogos-chave contra Vasco, Ceará e Vitória. Todos na Ilha do Retiro. Confrontos diretos que podem ser decisivos para a definição do Z4, mas o difícil é imaginar que o Sport chegar moralmente vivo nesta fase do campeonato. Se estiver, significa que a evolução técnica atingiu um grau de solidez maior e aí toda a perspectiva naturalmente mudará. Hoje não há como “contar com isso”. A projeção imediata e as cisões internas não permitem ir além.