MMA

MMA

UFC é criticado por não punir Jon Jones em caso de doping

Organização chega a elogiar o lutador, que entrou em clínica de reabilitação após ser pego no antidoping por uso de cocaína

postado em 08/01/2015 12:02 / atualizado em 08/01/2015 12:15

Jéssica Raphaela /Correio Braziliense

Steve Marcus/Getty Images/AFP

A notícia de que Jon Jones foi pego no doping chocou o mundo do MMA (lutas marciais mistas). Ver o campeão dos meio-pesados do UFC na posição de usuário de cocaína balançou os fãs, acostumados a vê-lo derrotando impiedosamente os adversários no ringue. À organização da principal entidade do esporte coube o desafio: como não deixar a situação abalar o milionário show business?

O lutador deixou a posição de vilão logo no anúncio do doping, quando informou o tratamento de reabilitação. “Com o apoio da família, dei entrada em um centro de tratamento para usuários de drogas. Eu quero me desculpar com minha noiva, minha filha, assim como com a minha mãe, meu pai e meus irmãos pelo erro que cometi”, declarou, em entrevista ao site americano Yahoo Sports.

A atitude “espontânea” foi aplaudida pelo presidente do UFC, Dana White. “Estou orgulhoso de Jon Jones por tomar a decisão de entrar em uma clínica de reabilitação”, comentou, por meio do site oficial da organização. Para Jon Jones, que recebeu bolsa de US$ 500 mil (cerca de R$ 1,3 milhão) na luta do último sábado contra Daniel Cormier, nenhuma bronca.

A punição passou em branco já que as normas da Agência Mundial Antidoping (Wada) proíbe o uso da substância apenas durante competições. O resultado positivo para a benzoilecgonina, principal metabólito da cocaína, saiu em 23 de dezembro. Jones não ficou de fora do UFC 182 no último sábado, porque o resultado não corresponde à semana da luta.

Para o especialista em marketing e gestão esportiva Amir Somoggi, o UFC soube se livrar bem da imagem negativa de ter seu maior atleta envolvido com drogas ilícitas. “O tratamento químico é uma forma de mostrar aos fãs, muitos jovens, que é possível se recuperar do vício. Os lutadores são ícones, e o UFC teve a sensibilidade de não abandonar o atleta diante de uma situação como essa. Além disso, ameniza os problemas comerciais e de marketing com patrocinadores”, analisa. Ontem, a principal patrocinadora do UFC, emitiu um comunicado informando que vai apoiar o lutador durante o tratamento.

Insatisfação

Mas nem todos ficaram satisfeito com a “autopunição” do campeão dos pesos-meio-pesados. Demitido do UFC em 2013 pelo uso de maconha, o lutador Matthew Riddle criticou, no Twitter, a organização e Dana White. “Vocês, idiotas, me demitiram por maconha e permitem que lutadores usem drogas pesadas sem consequências”, disparou e continuou. “UFC é lixo (…) Posso dizer honestamente que ser demitido foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido.” Matthew foi suspenso por 90 dias ao ser flagrado em 2012 e demitido pela reincidência em 2013.

Deixar o erro de Jon Jones ao usar cocaína passar em branco, na opinião do professor de marketing esportivo da Fundação Getulio Vargas (FGV) Pedro Trengrouse, dá ao UFC a imagem de condescendente com a atitude do atleta. “Não pode haver um peso e duas medidas. Está claro que Jon Jones foi tratado de forma diferenciada por ser um dos principais lutadores do UFC. Isso é péssimo para a imagem do atleta e da competição”, analisa.