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Moradores removidos de favela próxima ao Maracanã mostram satisfação

Famílias retiradas de ocupação se dizem mais felizes com o novo local de moradia. Sem condições de pagar pelos ingressos, esperam o fim do torneio da Fifa para voltarem a assistir um jogo no estádio

Pedro Venâncio - Correio Braziliense

Publicação:

30/06/2013 10:25

Rio de Janeiro — Sol forte, churrasquinho na rua, gente batendo papo na calçada e o funk tocando alto nos rádios. O ambiente do Residencial Mangueira 1, um dos condomínios para onde foram realocadas várias famílias que viviam na Favela Metrô Mangueira, embaixo da estação de metrô “Maracanã”, é de tranquilidade. Os moradores do local já parecem adaptados à nova vida, mas se ressentem da mudança traumática, do pouco espaço e ainda não sabem o porquê de terem sido retirados da invasão numa operação que se iniciou em 2010.

“Acho que usaram o Maracanã como pretexto para nos expulsar de lá. Talvez não quisessem que os torcedores estrangeiros vissem uma favela assim, tão de perto”, analisa a dona de casa Cynthia Mattos, 19 anos, que tem ressalvas ao novo local de moradia. “Aqui está melhor do que antes, mais tranquilo, mas eu considero uma favela, e não um condomínio”, diz.

De fato, quem for hoje ao jogo entre Brasil e Espanha pela final da Copa das Confederações não verá mais a favela como ela era, mas escombros de casas demolidas, além das 45 famílias que ainda resistem no local, hoje frequentado por vários usuários de crack e ponto de vários assaltos. A prefeitura jamais explicou o que pretendia fazer na área, atiçando a imaginação dos moradores. Estacionamento para o Maracanã, praça de recreação, centro comercial e centro automotivo foram algumas das hipóteses levantadas pelos entrevistados sobre o que seria feito na região.

A menos de 1km de distância, o Mangueira 1 já não é visível aos olhos dos turistas. Mas, ainda assim, os moradores têm motivos para comemorar. “Aqui temos coleta de lixo, um ambiente mais tranquilo, assistente social, um lugar limpo. Nossa mudança foi para melhor. Depois da remoção traumática, só vi benefícios’, afirmou o garçom Ivaldo Pereira Barbosa.

Em relação ao estádio, os moradores dividem opiniões. Perguntado sobre o fato de estar tão perto de uma arena da Copa, sem, no entanto, poder ir aos jogos por causa do preço dos ingressos, o ajudante de cozinha Edson Moreira lamentou, mas disse que não perde a esperança de ver o time do coração de após o fim do torneio da Fifa.

“A Copa é só para os ricos, e isso é fácil de ver, mas depois quero assistir ao Flamengo no Maraca, como fazia antes da reforma”, diz Edson, que torcerá pela Seleção Brasileira contra a Espanha. “A Seleção não tem nada a ver com a nossa remoção, ou com os problemas do país. Estarei trabalhando, não verei o jogo, mas torcerei pelo Brasil”, completa.

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