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CRUZEIRO

Fábio relembra época de farras e diz que 'gol de costas' e lesão despertaram sua religiosidade

Goleiro se declarou para o clube: 'Cruzeiro é tudo para a minha vida'

postado em 06/12/2018 12:10 / atualizado em 06/12/2018 12:39

Emmanuel Pinheiro / Estado de Minas

Antes de ser o 'goleiro de Deus', Fábio também curtia uma farra nos momentos de folga. Ele disse que não era muito da noite, mas que aproveitava o tempo em casa, fazendo churrasco e bebendo. Em 2007, as chamas da religiosidade aqueceram o coração do arqueiro, que virou evangélico. Os fatos determinantes para isso ocorrer foram a lesão no joelho e o famigerado 'gol de costas' no clássico contra o Atlético.

Em entrevista ao canal Pilhado no Youtube, Fábio relembrou os tempos de badalação. "Eu não era muito da noitada, não. Mas eu baguncei um pouquinho. Eu gostava de fazer minhas coisas em casa, churrasco, essas coisas, e nas férias eu virava mesmo (risos)", afirmou.

A vida do goleiro mudou na final do Campeonato Mineiro de 2007. Na primeira partida da decisão do Estadual, o Atlético goleou o rival por 4 a 0 e encaminhou a conquista, que viria no segundo jogo após derrota para a Raposa por 2 a 0. Mais que pelo placar elástico, o primeiro clássico ficou marcado pelo último gol, convertido por Vanderlei aos 46 do segundo tempo. Tudo porque o goleiro cruzeirense estava de costas para o lance. No jogo, Fábio machucou o joelho e ficou afastado dos gramados. Depois do episódio, o arqueiro passou a ser fortemente questionado pela torcida celeste.

"Foi quando eu me lesionei, na final do Campeonato Mineiro, que eu me choquei com a trave e rompi o joelho. E era decisão de campeonato. E mesmo assim eu continuei no jogo, não tinha mais substituição. Teve o terceiro gol que foi o pênalti, fiquei irado, e era o momento que Deus tinha preparado. Não tinha sido pênalti, mas o juiz tinha dado. Quando recomeça o jogo, eu fui pegar a bola dentro do gol que era a do pênalti. Quando eu vi a outra bola passando assim, não sei de onde apareceu. Tinha que acontecer. Ia ser muito fácil só a lesão. Eu ia me recuperar, mas não ia querer saber de Deus, então tinha que me moldar. Ele me levou no pó para fazer um cara novo. Esse gol rodou o mundo inteiro. Muitos falaram que eu ia ficar marcado, que eu nunca iria jogar, e foi nessa hora que tive um encontro com Deus", disse o camisa 1 do Cruzeiro.

Fábio disse que sua religiosidade foi despertada quando estava em casa assistindo TV, ainda se recuperando da lesão no joelho, e parou para ouvir um pastor que orava para pessoas com joelho lesionado. Foi neste momento que ele 'encontrou' Deus.

"Eu chegava muito cedo em casa e ficava vendo TV, e tinha um programa de um pastor. E, quando chegava no programa, eu tirava, mudava de canal. Um dia eu parei. E foi meu encontro com Deus. No meio do programa, o pastor falou: 'eu quero orar por você que machucou o joelho'. Eu olhei para trás, só tinha eu no quarto, 'esse cara falou comigo'. Ele falou: 'É você mesmo que está lesionado do joelho, quero fazer uma oração por você'. Eu tinha um pouquinho de fé naquela hora e foi o suficiente para Deus agir na minha vida. Eu fiz a oração e o joelho começou a pegar fogo como brasa. Eu senti que Deus estava restaurando o meu joelho. Chamei a minha mulher, 'Deus restaurou meu joelho, você não vai acreditar'", destacou o goleiro, que relembrou as várias sondagens que recebeu nesse período.

"Eu tive várias oportunidades para sair do Cruzeiro, mas Deus disse 'fique, não saia'. Eu jogava bem, mas não vinha a conquista que todo mundo esperava. Mas Deus preparou esse momento em 2013", afirmou o goleiro, bicampeão brasileiro no Cruzeiro em 2013 e 2014 e bi da Copa do Brasil em 2017 e 2018.

O goleiro ainda se declarou ao clube. Fábio é o atleta que mais vezes vestiu a camisa do Cruzeiro, tendo superado a marca de 800 jogos pelo clube.

"Dentro de tudo que aconteceu na minha vida, o Cruzeiro é a minha vida. Meus filhos são cruzeirenses, nasceram aqui, minha esposa ama, amo o clube, a torcida, o carinho da torcida. Então, o Cruzeiro é tudo para a minha vida. Tudo que foi plantado lá atrás com choro, a gente colhe com alegria", afirmou.


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