"Meu pai é a única referência profissional que eu tenho", afirma Eduardo Baptista
No primeiro telefonema depois de assumir o Sport, Eduardo Baptista ouviu o conselho que o inspirou a mexer não apenas na escalação de sua equipe, mas na estratégia como um todo. Não houve, entretanto, qualquer sugestão sobre escalação: “Você conhece os seus jogadores e não há ninguém melhor que você para tomar esta decisão.” A injeção de confiança que recebera do pai inspirou o novo técnico do Leão a apostar num esquema que conhecera anos antes, através do próprio Nelsinho Batista. Desde então, foram cinco jogos, cinco vitórias, 12 gols marcados e nenhum sofrido. Obviamente, o período não é suficiente para fazer a torcida esquecer a irregularidade das últimas campanhas do Leão, mas a arrancada é promissora.
Nelsinho costuma conversar sobre formação tática com o filho Eduardo
Eduardo, que seguiu com o pai para uma empreitada no Japão, voltou ao Brasil e ao Sport em 2012, depois de enfrentar momentos de pavor com sua família durante o terremoto que atingiu o país em 2011. A ligação profissional com Nelsinho, entretanto, nunca foi rompida. Tanto que assim que a cúpula leonina confiou-lhe a tarefa de assumir o time interinamente após a demissão de Geninho, Eduardo tomou uma decisão ousada. Com pouco tempo para treinar, ele mudou não apenas na escalação, mas também na estratégia da equipe.
Com Eduardo, o Sport passou a atuar num arrojado 4-3-3, que se transforma num 4-5-1 quando o Leão está sendo atacado. Estratégia herdada do pai. “Tinha visto meu pai armar um time no Japão assim e fiquei muito impressionado com os resultados. Anos depois, Tite montou o Corinthians desta forma e conquistou o Brasileiro, a Libertadores e o Mundial”, revelou.
Apesar da distância, o contato entre pai e filho é constante. “Na quarta-feira mesmo, ele me ligou perguntando qual jogo da Champions eu
iria acompanhar. Eu disse que iria assistir Milan x Atlético de Madrid, mas ele pediu para eu dar uma olhada na movimentação de Kroos, do Bayern de Munique”, contou. “Depois, conversamos demoradamente sobre o jogo e sobre algumas estratégias que podemos aplicar em nossas equipes”, acrescentou.
Sem qualquer receio de que a sombra de seu pai possa começar a atrapalhar sua carreira, Eduardo deixa claro que Nelsinho é mais uma simples referência para ele. “Meu pai é a única referência profissional que eu tenho. E eu conheci muita gente. Nem tanto pelos esquemas táticos. Até porque eu penso um pouco diferente dele (no lugar do Neto, ele prefere um cara de velocidade). Mas é pela conduta, pelo profissionalismo. Ele me mostrou que é possível ser honesto e ter uma carreira de sucesso no futebol.”