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Everton Felipe avalia tempo parado e se vê pronto para substituir Diego Souza no Sport

Em entrevista ao Superesportes, meia se mostra mais maduro e diz que está pronto para assumir protagonismo do time: 'Sei da minha responsabilidade'

postado em 03/03/2018 10:30 / atualizado em 03/03/2018 15:17

Anderson Freire/Sport Club do Recife
Às vésperas de retornar aos gramados, Everton Felipe se torna uma das principais esperanças da torcida do Sport em dias melhores para o clube. Com a equipe em baixa na temporada e carente de um meio-campista desde a saída de Diego Souza para o São Paulo, o prata da casa começa a sentir o peso da responsabilidade de assumir a lacuna em aberto. Nada que intimide o atleta de 20 anos. Ao contrário. Praticamente recuperado da cirurgia no joelho que o tirou de ação desde 10 de setembro do ano passado, Everton conta os dias para o retorno. Liberado pelo departamento médico, aprimora a parte física. Estará de volta aos gramados em um mês, aproximadamente. 

Dependesse da vontade do meia, ele voltaria hoje. Na verdade, nas contas dele, voltaria a ficar à disposição no próximo dia 16, quando se completa seis meses da cirurgia. Não será assim. Cauteloso, o preparador físico Vitor Hugo contém a ansiedade do jogador. Explica que a volta não será tão breve. Seguindo o protocolo pós-cirúrgico para casos de rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho (esquerdo), o meia passou recentemente por uma avaliação isocinética que apresentou déficit de força na perna operada. 

“Vamos corrigir esse desequilíbrio muscular para que a gente possa entrar trabalho recondicionamento. No dia 16, ele vai fazer todas as reavaliações para entrar fase condicionamento de jogo e ficar à disposição. Logo que estiver condicionado, fica à disposição do treinador”, disse Vitor, sem dar prazos.

O fato é que quando Everton Felipe voltar a vestir a camisa do Sport, encontrará um cenário bastante diferente do que deixou na Série A. Já não terá a companhia do parceiro Diego Souza. André e Rithely são interrogações. Vanderlei Luxemburgo virou passado distante. Nelsinho Batista é o presente. Assuntos que ele comentou em entrevista ao Superesportes.

Como tem sido esse período fora dos gramados?

Foi um período difícil. Tive que me adaptar porque nunca tinha passado por uma lesão grave na minha carreira. Eu tive que readaptar minha rotina muito rapidamente. Todos os dias fazendo os mesmos trabalhos na fisioterapia, todos os dias sentindo as mesmas dores, vendo as mesmas pessoas, tendo a mesma rotina... É difícil, mas sou um cara que me adaptei a tudo desde cedo na vida. Saí de casa muito cedo para jogar futebol e me acostumei a ter que me adaptar as coisas. Com a lesão não foi diferente.

Roberto Ramos/DP

Você volta mais maduro após essa parada forçada?

Precisei abrir mão de festas, de sair, de fazer as coisas que eu gosto fora do futebol para me recuperar da melhor maneira possível. Não tinha nenhuma condição de sair de casa com o joelho inchado. O foco total era me recuperar logo para voltar a treinar e poder jogar. Fiquei muitas noites sem dormir, precisei realmente abrir mão de muita coisa. Só voltei a ter uma vida social melhor depois de uns quatro meses da cirurgia, quando comecei a ir a festas de amigos, ir à praia de novo... Pude me divertir um pouco. E tudo isso foi com um propósito: voltar bem. Com certeza, eu volto mais maduro, mais vivido. A gente tem que tirar uma lição para tudo.

Mas você teme em não voltar a jogar da mesma forma?

Eu tenho que voltar a jogar como antes de todo jeito. Se o joelho não for mais o mesmo... Ele vai ter que ser de qualquer maneira! Preciso dele para jogar bem e render no máximo. A minha família depende disso, eu dependo disso. Tem muita gente que precisa que eu volte a jogar bem de novo. A torcida do Sport, todo mundo... Então, tudo vai ter que voltar a ser como antes de qualquer jeito.

Sem Diego Souza, existe uma enorme expectativa da torcida por seu retorno. Você se sente pressionado com isso?

Eu sei que existe uma expectativa muito grande em mim. Diego era o cara do nosso time e jogava na mesma posição que eu. Então, claro que era difícil jogar ali no meio porque tinha ele. Não tinha como eu jogar na frente dele, eu sabia disso. Até o próprio Luxemburgo (ex-técnico do Leão) veio conversar comigo uma vez e eu entendi perfeitamente. Quantas e quantas vezes Diego já decidiu o jogo sozinho? Entendo essa questão de hierarquia. Jogador de nome, com o talento e importância dele, tinha que respeitar e sempre respeitei até porque ele foi um amigo, um paizão para mim. Mas agora, sem ele, sei da minha responsabilidade. Eu gosto dessa expectativa, da cobrança maior, da responsabilidade. Eu gosto de chamar a responsabilidade para mim. No jogo, você nunca vai me ver me escondendo. Eu posso até errar, mas eu vou pedir a bola e vou tentar de novo até acertar. Eu espero poder fazer valer a pena essa espera para mim e para a torcida do Sport.
Paulo Paiva/ DP

E foi boa para você essa saída de Diego?

Boa para mim não foi. Nem para o Sport. Era um cara que todo mundo queria por perto. Fico triste até hoje em não tê-lo aqui, mas sem ele é aquela coisa: tenho que suprir essa ausência da mesma forma que eu consegui suprir no ano passado nas vezes em que joguei no meio de campo. Com toda humildade. Quem sou eu para substituir o Diego Souza? Mas se já deu certo algumas vezes no ano passado, por que não pode dar certo dessa vez de novo? Então, não digo que foi bom ele ter saído, mas sei que vai me abrir mais espaço e sei que vou ter que aprender a caminhar sem ele daqui para frente. Vou tentar ajudar o time nesses passos.

Você tem acompanhado de perto essa novela de Rithely e André. Quão importante seria a permanência deles na tua opinião? (entrevista foi feita na semana passada)

Eu espero que eles possam resolver essas pendências deles com o Sport e fiquem. É muito importante para a gente ter dois jogadores como eles no grupo. São jogadores importantes para qualquer time, mas eles sabem o que estão fazendo e espero que eles consigam chegar a um entendimento com o clube, que dê tudo certo. Os dois lados têm que entender que não pode ficar ótimo para um e mais ou menos para o outro. Tem que ser algo que seja bom para o atleta e bom para o clube. Acho que se eles entenderem isso direitinho, as coisas se resolvem. Mas eu espero e queria muito que eles ficassem. Para mim, ter André lá na frente é outra coisa, jogador diferenciado. E Rithely na retaguarda… Ajuda demais, ‘tá’ doido.

Desde o ano passado tem surgido propostas por você, como a do Spartak Moscou, por exemplo. Como você tem administrado isso?

Eu tive muita propostas no ano passado e até neste ano também. Mas não quero sair do clube pelas portas do fundo. Nunca! O Sport me proporcionou tudo que eu tenho na minha vida, me deu a oportunidade de eu me tornar jogador de futebol, de poder ajudar a minha família, de poder me tornar quem eu sou hoje. Graças ao Sport e a mim também, que corri atrás. Não quero sair pela porta de trás. Quando chegar algo, quero que seja bom para os dois. Se a proposta for boa para mim e para o clube, espero que o Sport entenda a importância daquilo para a minha vida, mas também quero que o clube saia ganhando. Todo jogador sonha em ir para a Europa, jogar uma Champions League… Tem que pensar grande. Comigo não é diferente.

Nelsinho Batista já conversou algo com você sobre esse seu retorno?

Ele ainda não conversou comigo sobre isso. O que ele fez foi me dar uma dura por eu estar fazendo umas coisas erradas (risos). Com três meses e meio (após a cirurgia), eu já estava jogando futevôlei com o pessoal e ele me deu uma dura. Eu obedeci, estava errado. É um cara que eu gosto muito, tem o respeito de todos. Você vê que ele sempre pensa muito antes de falar e de agir. Daí acaba que o grupo gosta muito porque ele não magoa e não maltrata ninguém com as palavras, porque pensa em todas as atitudes que vai tomar. É muito bom trabalhar com treinador assim. Voltando… Na verdade, ele (Nelsinho) sempre fica perguntando quando eu vou voltar. Ele já fala sorrindo porque sabe que eu quero voltar para ontem. Com certeza conversa com o departamento médico. Ele sabe de tudo aqui dentro do clube. Espero que ele possa me dar oportunidade nesse meu retorno.

O que você planeja para este ano?

Quero fazer um ótimo Brasileiro. Ganhar o (Campeonato) Pernambucano novamente, já que é o que a gente tem para agora. Espero voltar a fazer bons jogos. Sei que o começo vai ser difícil, vou ter alguma dificuldade, mas aos poucos quero voltar a jogar bem, a me destacar e fazer de tudo para ficar novamente 100% para ajudar o Sport.

Você se disse mais maduro. Olhando para trás, você se arrepende de ter se envolvido naquela polêmica com a Torcida Jovem?

Não me arrependo de ter ido à festa. O que eu me arrependo foi ter cantado aquela música que incitava a violência. Eu fui com o pensamento de passar a mensagem de paz para a torcida, como eu fiz no final lá, quando falei com todo mundo. Mas isso ninguém publica porque o pessoal gosta da polêmica… Eu gosto de polêmica também, sou um cara que fala o que penso, mas eu gosto mais é da verdade. Sei que estou errado pela música. Cheguei a fazer um texto com um pedido de desculpas no meu Instagram. E volto a pedir desculpas pelo erro. Até cheguei a postar dizendo que a partir de agora não vou mais participar de nenhum evento de torcida, de qualquer uma. Não posso dizer que vou para uma e não vou para outra. Para mim, tudo é torcida do Sport, todos os torcedores são iguais e merecem todo meu respeito e carinho possível. A Torcida Jovem é uma torcida que faz parte da história do Sport. Ali dentro tem muito pai de família, assim como tem muito maloqueiro também. Esse é o grande problema. Sei que essa questão de torcida organizada é complexa demais, mas acho que as autoridades deveriam dar um jeito de separar quem quer torcer de quem quer bagunçar. Eu sinto muita falta da festa da torcida, das bandeiras, da animação. Hoje parece que os torcedores estão indo menos ao estádio. Alguma coisa precisa ser feita. Eu sei que a segurança conta muito e é por isso que eu repito: precisam arranjar um jeito de resolver isso e fazer com que todos possam ir ao estádio para torcer.

Paulo Paiva/DP