Com isso, com a exceção de Sport, Santa Cruz e Náutico, os sete clubes do interior irão para campo com seus jogadores tendo passado por apenas uma rodada de testes. Todos sorológicos, que apontam apenas a presença ou não de anticorpos no organismo após a infecção da Covid-19. Já o teste RT-PCR é considerado mais confiável com relação aos riscos de transmissão por identificar o vírus ainda ativo. Salgueiro e Retrô, por exemplo, realizaram os testes sorológicos em seus elencos apenas uma vez, na primeira quinzena de junho. Irão a campo no domingo, sem nenhuma outra contraprova.
“O que a Federação ofereceu aos clubes foram 30 testes de anticorpos, mas o PCR é o único que diz quem está com o vírus. O outro diz quem esteve. E o PCR nunca foi feito pelos clubes do interior. Com isso ficamos meio cegos e baseado apenas em sintomas. E se basear apenas em sintomas em uma doença onde o percentual de assintomáticos é elevado é algo muito falho”, apontou o diretor médico do Central, Reinaldo Madeiro.
E de fato, o protocolo da FPF é baseado apenas nos casos em que há sintomas da doença. No documento de 36 páginas publicado no site da entidade, a palavra "teste" aparece apenas duas vezes. Assim, no dia das partidas, os clubes precisarão enviar apenas um protocolo com informações sobre a situação de cada pessoa da delegação. Para Reinaldo Madeiro, mais uma medida inócua.
“Dentro do que nos foi oferecido, corremos os riscos de termos atletas assintomáticos, que ainda estejam transmitindo o vírus, e jogando. Se isso acontecer não vai ser uma surpresa e sim uma possibilidade real”, destacou. “A Federação exige apenas um questionários de possíveis sintomas no dia do jogo. Mas isso é uma mera formalidade. Quando ela diz que a realização de novos testes depende do departamento médico de cada clube isso nada mais é do que passar a responsabilidade adiante. Então eu também passo. A minha sugestão é fazer testes PCR antes dos jogos em todo mundo”, completou.
O médico centralino, no entanto, também reconhece que a realização constante de testes PCR é algo fora da realidade financeira dos clubes. “O ideal seria fazer esses testes pelo menos uma vez na semana. Mas apenas um teste desse custa R$ 250. É inviável para um clube como o Central. Então vamos trabalhar na medida do possível. Mas o risco de uma disseminação do vírus existe. Não adianta fazer apenas um teste sorológico há um mês e não fazer mais”.
O que diz a FPF
Procurado pela reportagem, o presidente da Federação Pernambucana, Evandro Carvalho, minimizou os riscos de transmissão do coronavírus com a volta do Estadual. Segundo o cartola, o protocolo adotado atende às demandas de segurança. Porém, mais uma vez, voltou a enfatizar apenas os casos sintomáticos da doença.
“Quando um jogador é testado, o controle epidemiológico e clínico acompanha. Então se ele tiver algum sintoma ele é retirado do clube e vai testar. É um protocolo que funciona”, afirmou. “Obrigatoriamente, os clubes fizeram só uma rodada de testes, o que não impede outros. O clube pode fazer quantos testes quiser. O Flamengo faz toda semana”, exemplificou, utilizando o atual campeão carioca, com uma folha salarial estimada em R$ 14 milhões. Já o gasto mensal do Central com salários atualmente é de R$ 85 mil.
“Qual a atividade no mundo que passou por tantos testes? Nenhuma. O seguimento que tem a maior segurança e está em bolha é o futebol. Os jogadores foram testados antes, foram isolados e iniciam um protocolo médico. Se tiver algum com sintoma e retestado e se mantém o acompanhamento médico. Se houver alguma alteração ele é afastado. Não tem modelo mais seguro do que esse”, reforçou.

