Santa Cruz

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Elenco, diretoria, comissão técnica e perfil: o que muda no Santa Cruz de 2019 para 2020?

A reportagem do Superesportes fez um raio-x dos momentos do Tricolor nos referentes inícios de temporadas, desde filosofias de trabalho à chegada de novos atletas

postado em 06/01/2020 08:26 / atualizado em 06/01/2020 08:53

(Foto: Rafael Melo/SCFC; Jota Santana/Assessoria)
No dia 20 de janeiro de 2019, o Santa Cruz entrava em campo na Arena Pernambuco para estrear no Campeonato Pernambucano, contra o América. Mostrando um futebol vistoso, o Tricolor goleou por 3 a 0 a equipe Esmeraldina. Um começo promissor, porém, transformou-se em uma temporada repleta de insucessos. Foi assim na eliminação precoce, ainda nas quartas de final do Estadual, contra o Afogados da Ingazeira, nos pênaltis, e também na queda, ainda na fase classificatória da Série C, jogando contra o rival Náutico. 

Na tentativa de destrinchar as mudanças entre o último ano e o início de 2020, que começa para o clube coral, oficialmente, no dia 18 de janeiro, jogando o Estadual, diante do Petrolina, no estádio do Arruda, a reportagem do Superesportes fez um raio-x do Santa Cruz. Elenco, diretoria, comissão técnica e perfil das contratações: o que mudou entre o início destas duas temporadas?      

“O Santa Cruz precisa de qualidade, não de quantidade”

A frase dita pelo técnico do Santa Cruz, Itamar Schülle, ressalta o momento que hoje vive o Tricolor. Isso porque, diferentemente de 2019, quando o elenco até o início do Campeonato Pernambucano, por exemplo, já contava com 28 atletas, entre remanescentes e contratados, a montagem do plantel atual conta com apenas 21 jogadores. 

Diferentemente do ano passado, quando alguns pratas da casa chegaram a disputar a titularidade, como os casos do lateral direito Warley, o zagueiro João Victor e o atacante Elias Carioca, as promessas das categorias de base, neste ano, podem aparecer menos dentro de campo. Questão analisada a partir do “momento” delicado vivido pelo Santa Cruz, segundo Itamar Schülle. De acordo com o técnico, “o Santa Cruz hoje precisa de uma equipe forte, competitiva, e aí depois que der tudo certo, aí é o momento de fazer
aposta”. 

Experiência é fator crucial

Vivendo sob o mesmo imperativo dos anos de 2018 e 2019, quando bateu na trave duas vezes seguidas na Série C, não conseguindo o acesso à Segunda Divisão, o Santa Cruz deste ano aposta no ‘tudo ou nada’. Para isso, trata com prioridade a chegada de atletas experientes, com maior rodagem no mercado que, não só se adequem à realidade financeira do clube, mas que tenham conquistado acessos em seus currículos. 

Como é o caso do meia Didira, de 31 anos, ex-CSA, a principal contratação do Tricolor até o momento - dentre as 11 oficializadas. Único nome que saiu da Série A para se juntar ao elenco do Santa Cruz, o jogador foi determinante nas campanhas do time alagoano, que subiu da Série D à elite do futebol nacional, entre os anos de 2016 e 2018. Neste ano, inclusive, o meio-campista disputou 33 partidas pelo Azulão, sendo 19 delas no Brasileiro. Ou o volante Paulinho, com passagens de destaque pelo Náutico, em 2014, e Ponte Preta. 

Em contraposição a 2019 - apesar do atual plantel tricolor também contar com a presença de jovens jogadores - boa parte do time no início da temporada foi composto de apostas. Foi assim, por exemplo, com o zagueiro Wiliam, de 23 anos, que sequer disputou uma partida no profissional, alçado ao Brasileiro de Aspirantes, e o goleiro Anderson, de 21 - a exceção deste cenário, uma vez que ganhou a vaga de titular absoluto na metade da temporada. 

Comando à frente do futebol 

Mas não foi somente o elenco do Santa Cruz e o perfil dos contratados que mudaram nestes dois últimos anos. Uma das principais novidades do clube em 2020 foi a contratação de um executivo de futebol remunerado com vasta experiência no currículo, Nei Pandolfo. O dirigente esteve à frente do cargo no rival Sport entre 2014 e 2016, conquistando o tricampeonato da Copa do Nordeste e do 40° título de Campeão Pernambucano, ambos os triunfos em 2014. 

Fora do Sport, ele foi auxiliar técnico de Santos, Palmeiras e Atlético-MG, além de gerente de futebol no Bragantino, Santos e no Botafogo-SP. Junto à nova diretoria executiva de futebol, também foram incorporados os analistas de desempenho Francisco Sales e Gabriel Panfolfo, filho de Nei Pandolfo. 

Em 2019, por outro lado, quem detinha a responsabilidade do cargo, sob o título de "superministro" na chefia do departamento de futebol, era o então ex-jogador tricolor, Luciano Sorriso, a convite do presidente Constantino Júnior para exercer o posto. A sua primeira experiência como dirigente de um clube de futebol. Foi o ex-volante quem buscava no mercado novos atletas, além de ser o elo entre a comissão técnica, a diretoria coral e o elenco.  

Apesar de intitulado de "superministro", Sorriso geriu o futebol coral juntamente com Ataíde Macedo e Jomar Rocha. Além deles, o diretor técnico Helder Moura também compôs a equipe, cuidando de detalhes logísticos. Porém, logo após o adeus precoce do Santa Cruz na Série C, o então executivo de futebol foi destituído da função. 

Cenários semelhantes, mesmo objetivo

Na temporada passada, foi o então técnico Leston Júnior quem assumiu o Santa Cruz no início do ano. Ex-Botafogo-PB, onde conquistou o título de campeão paraibano e a quinta colocação na Série C de 2018, o comandante admitiu, em apresentação oficial, ser o Tricolor o maior desafio da carreira. O treinador mineiro conquistou o acesso à Série B pelo Tupi, em 2015. Era o que o Santa Cruz precisava: alguém que conhecia os caminhos da Série C - e alcançasse o principal objetivo de quem a disputa: subir de divisão. 

Porém, o currículo “ideal” para o Santa Cruz não foi o suficiente para manter Leston Júnior no Arruda. Tanto é que sua permanência no cargo do clube durou apenas três partidas na Série C. Todas elas sem vitória e com o Tricolor figurando a zona de rebaixamento. 

Por outro lado, o atual técnico do Santa Cruz, Itamar Schülle, tem passagens por times mais conhecidos no cenário nacional, como é o caso do Criciúma. Antes de chegar ao Tricolor, o treinador estava à frente do Vila Nova em 2019, tentando escapar o clube do rebaixamento à  Série C, mas não deu. No Cuiabá, no entanto, Itamar viveu o melhor momento da carreira, conquistando o bicampeonato estadual de forma invicta, sagrando-se o primeiro treinador a realizar o feito na história do clube. Além disso, em 2017, conseguiu um acesso à Série B. Tudo o que o Santa Cruz mais quer - e precisa - para 2020. A ver o desfecho desta história. 

Elenco do início de 2019

Goleiros: Ricardo Ernesto, *Anderson
Zagueiros: Danny Morais, João Victor, Vitão, William, 
Laterais direitos: Marcos Martins, Augusto Potiguar, Cesinha, Warley
Laterais esquerdos: Bruno Ré, Raphael Soares
Volantes: Lucas Gonçalves, Ítalo Henrique, Eduardo, Charles, Allan Dias
Meias: Jeremias, Hericles, Diego Lorenzi, Luiz Felipe  
Atacantes: Pipico, Augusto, Elias, Silas Gomes, Neto Costa, Jô, *Guilherme Queiroz
 
* Jogadores que chegaram nas duas últimas semanas da pré-temporada 

Elenco do início de 2020 

Goleiros: Carlos Miguel, Maicon 
Zagueiros: Danny Morais, Wiliam Alves, Feliphe Gabriel
Laterais direitos: Júnior, Toty, Warley, Augusto Potiguar
Laterais esquerdos: Wesley
Volantes: Paulinho, Bileu, Caetano, Lucas Gonçalves, Ítalo Henrique 
Meias: Luiz Felipe, Didira, Jeremias  
Atacantes: Pipico, Mayco Félix, Sillas Gomes
 
* Elenco a duas semanas da estreia no Campeonato Pernambucano